Sendo eficaz com os Sete Hábitos de Stephen Covey

Um adolescente ganha de presente de aniversário o smartphone que acaba de ser lançado. Extremamente feliz com a nova aquisição, ele baixa todos os apps que sempre desejou, carrega o celular para todos os cantos, se esquece de comprar película protetora, deixa o aparelho cair incontáveis vezes e até chega a cair na piscina com ele no bolso – mas, graças ao mergulho noturno no arroz, consegue recuperá-lo. Só que, alguns meses depois, o aparelho começa a apresentar lentidão e pequenos bugs. O jovem, indignado, exige à empresa a troca do produto, afirmando que tal marca não presta.

Essa breve história é uma releitura simples e contemporânea da fábula A Galinha e os Ovos de Ouro, retomada por Stephen Covey em “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” para ilustrar sua teoria sobre eficácia. Segundo o autor, a essência da eficácia se encontra no equilíbrio entre Produção (P) e Capacidade de Produção (CP). Na história do adolescente, foi a falta de cuidado com o celular que fez com que a capacidade de produção do aparelho decaísse assustadoramente. Se alguns cuidados básicos tivessem sido tomados para conservar o celular, a história provavelmente teria sido outra.

O equilíbrio e, portanto, a essência da eficácia, está presente justamente na produção de acordo com a capacidade limitada a determinado período de tempo. É a definição e o paradigma da eficácia em se baseiam os sete hábitos do livro, os quais estão em harmonia com esse fundamento, e não se apresentam de maneira desconexa e repleta de fórmulas milagrosas inexistentes.

A Ética do Caráter, expressão abordada no início do livro, é composta basicamente pelos hábitos que desenvolvemos, sejam bons ou ruins. O importante é ter em mente que, assim como o caráter, os hábitos são mutáveis e podem passar por transformações, ou seja, podem ser aprendidos e reaprendidos, mas demandam tempo, paciência e disciplina. Para se aprofundar no tema, a leitura de “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg, é uma ótima pedida, pois desenvolve ensinamentos sobre a criação de novos hábitos.

Os três primeiros hábitos de Covey tratam da Vitória Interna, ou seja, do autoconhecimento e das mudanças internas. Só nos outros três hábitos é que a Vitória em Público é explicada, voltada para a construção de relacionamentos fortes, seja nas áreas profissional ou pessoal. O último hábito, por sua vez, trata da constante renovação dos outros seis, com o objetivo de alcançar o sucesso e a interdependência efetiva, outro termo elucidado pelo autor.

Hábito 1 – Seja proativo

A ideia de proatividade que perpassa o primeiro hábito é a de que somos condicionados a reagir de determinada maneira a um estímulo em particular e, entre a resposta e esse estímulo, encontra-se a liberdade de escolha do ser humano. Em outras palavras, a proatividade significa que cada um é responsável por suas escolhas e pela própria vida. Com esse ensinamento, Covey divide as pessoas em duas categorias: as reativas e as proativas.

  • Reativas: pessoas que não se consideram responsáveis nem capazes de escolher suas reações. Segundo elas, a culpa de sua atual situação é apenas das outras pessoas e das circunstâncias que as levaram até ali. A personalidade, segundo as pessoas reativas, é moldada pelos outros e não por si mesmo.
  • Proativas: pessoas que buscam soluções e se baseiam apenas em seu comportamento para justificar o que lhe aconteceu e não colocam a culpa por seu comportamento nas circunstâncias ou condicionamentos.

A dica de ouro é adquirirmos uma atitude proativa diante dos cenários da vida a partir da mudança de perspectiva, ainda que eles possam parecer extremamente difíceis à primeira vista. A questão está em como os problemas são enxergados e onde as energias são concentradas. Segundo Covey, você é criador da sua própria realidade e é quem escolhe uma resposta para cada situação.

Hábito 2 – Comece com o objetivo em mente

Para visualizar melhor o hábito dois, imagine-se finalizando um projeto de longo prazo ou iniciando sua vida como aposentado. Com esse pensamento em mente, passe a se perguntar: quem você gostaria que estivesse ao seu lado? O que as pessoas diriam sobre você? Quais características você gostaria que fossem aclamadas?

É a partir dessa reflexão profunda e esclarecedora que o autor discute tal “objetivo”. Começar com o objetivo em mente é acordar todos os dias com a imagem de si mesmo ao final de um projeto ou ao final da vida como referência para viver cada dia. Todas essas perguntas podem ser feitas para você chegar à conclusão de qual é, afinal, seu propósito de vida.

Usando a imaginação e a consciência, temos o poder de escrever e definir nossos papéis com base em nossos valores e princípios mais profundos. Para que eles se tornem reais, primeiro é preciso usar a mente para a idealização e para o planejamento. Aqui, a dica é escrever uma declaração de missão pessoal, abordando o que deseja ser (caráter) e o que deseja fazer (contribuições e conquistas).

Hábito 3 – Primeiro o mais importante

Se o primeiro e o segundo hábito são as partes estratégica e tática, respectivamente, da Vitória Interna, o terceiro hábito pode ser considerado o lado operacional. É a hora de botar a mão na massa para concretizar seu planejamento de vida.

Aqui, Covey explica a diferença entre urgência e importância, e sobre como nos concentramos geralmente em apagar pequenos incêndios, e acabamos vivendo sem planejamento e sem foco no que realmente importa para nós. Para isso, ele explica a importância do quadrante II, que abrange tarefas importantes e não urgentes. Lembra dos papéis nas áreas da vida e da declaração de missão pessoal trazidas no hábito dois? É a partir desses dois âmbitos que o planejamento da agenda – semanal – deve ser construída para a visualização e organização da vida em geral, sendo possível criar uma visão mais abrangente e contendo objetivos a curto, médio e longo prazo.

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Hábito 4 – Pense em Ganha x Ganha

Somos acostumados a ver as situações de maneira dicotômica: quando um perde, o outro ganha, e vice-versa. Mas e quando é possível existir vitória para ambos os lados ao mesmo tempo? A dinâmica Ganha x Ganha se baseia no paradigma de que existem recursos suficientes para todos e que para acontecer o sucesso de alguém não precisa que outros sejam excluídos ou prejudicados.

No mundo estritamente competitivo, você acha esse cenário improvável? Covey afirma que construir esse tipo de ambiente e de resultado depende de muito aprendizado e influência, mas, adquirido esse hábito, torna-se espontâneo pensar em soluções centradas nesse tipo de prática. O que vale aqui é a negociação que passa por um processo recíproco de entendimento das necessidades de cada lado.

Hábito 5 – Procure primeiro compreender, depois ser compreendido

Ouvir histórias e desabafos alheios com a mente fechada e sob nossa perspectiva é uma oportunidade perdida de crescimento. É preciso ser verdadeiramente empático e se colocar no lugar do outro para compreender a situação do outro. A regra aqui é ouvir e refletir antes de pensar em responder e de desatar a falar.

Em conjunto com o hábito 4, procurar compreender antes de ser compreendido é uma ferramenta poderosa para a comunicação efetiva. Mostrar-se capaz de entender o outro é criar um ambiente de confiança e de gentileza.

Hábito 6 – Crie sinergia

Si.ner.gia 4. Sociol – cooperação entre grupos ou pessoas em benefício de um objetivo comum.

Tendo como base os hábitos de Ganha x Ganha e de comunicação empática, é possível criar a mentalidade que as pessoas conseguem atingir objetivos comuns se houver união e dedicação de todas as partes. Para isso, é preciso demonstrar autenticidade, ou seja, a prática diária dos outros hábitos é fundamental para que se tornem características de seu caráter.

A cooperação ligada à confiança resulta em cenários em que todos saem beneficiados. Ideias melhores, mais originais e espontâneas são alguns dos efeitos dos hábitos relacionados à Vitória em Público.

Hábito 7 – Afine o instrumento

Afinar o instrumento significa aprimorar o modo como realizamos nossas tarefas e percebemos as diferentes situações. Até mesmo os hábitos descritos por Covey precisam ser aperfeiçoados de acordo com a realidade de cada um.

O problema é que geralmente estamos tão focados nos resultados que acabamos negligenciando o instrumento. Só que de nada adianta uma ferramenta multifuncional e moderna se ela não passa por manutenções de tempos em tempos. É preciso tomar certos cuidados e se renovar a cada dia para se manter no caminho do sucesso e se tornar uma pessoa realmente eficaz.

A ferramenta mais preciosa do ser humano é o corpo. Uma alimentação saudável, boas noites de sono e uma rotina de exercícios é essencial para manter o corpo em pleno funcionamento. Além das necessidades básicas, também é preciso lembrar de nutrir a mente e o lado sociável, se dedicando à leitura e aos estudos, aproveitando bons relacionamentos e o lazer.

Aprofunde-se nos Setes Hábitos

Ao final de cada hábito apresentado, Covey passa algumas tarefas para que os hábitos possam ser exercitados e aprendidos. É um livro com ensinamentos densos e transformadores, que exigem bastante dedicação e persistência. É uma ótima base para quem decidiu que definitivamente é hora de alterar algumas práticas. Também possui ótimos ensinamentos para quem acredita estar no caminho certo, mas deseja se tornar uma pessoa ainda mais eficaz.

Seus objetivos não serão atingidos por acaso. É preciso esforço e muita, mas muita paciência. O sucesso, qualquer que seja o significado dele para você, pode, sim, ser alcançado. E como Covey mesmo afirma ao explicar o primeiro hábito, depende somente de você! Pronto para começar? Assine nossa newsletter e receba mais dicas como essas diretamente em seu e-mail.

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